sábado, outubro 24, 2015




de mim para ti…

silêncios conjugados



conjugam-se os silêncios 
na distracção da noite
enche os desejos aromáticos
de sonhos e fantasias

fala o silêncio
na voz embargada

o esquecimento chega com verdade
e perturba a fragilidade de uma saudade

registam-se as palavras emolduradas
em pensamentos deslaçados


o encanto é silêncio especial

do meu ninho



helena maltez

sexta-feira, outubro 16, 2015


de mim para ti...


separa-nos um vento....




o vento do teu minuto
o vento sopra violento
deixa as árvores despidas
nos caminhos um manto de muitas cores
a impaciência de cada passo indecifrável
indiferente o tempo caminha
há desinteresse naquele caminhar,
rostos cruzam-se fechados
sem vida, sem essência
carente o corpo, respira todos os sabores
o vento é brisa suave que acaricia
suave fusão das palavras perfeitas,
sem contornos, com destino e loucura
há o respirar perfeito
e o amor entre loucuras de noites inteiras
helena maltez

terça-feira, setembro 29, 2015

transparências...


                     
                     
há felicidade dentro de mim
consigo dividi-la em várias prateleira da vida
tento voar em todas as caminhadas,
voar como se os meus pés tivessem asas
                 
sei que estás, mesmo ausente
essa ausência é a força de um recordar
é a serenata do Bolero de Ravel
como um fruto agridoce, rasgado no desejo
                        
hoje conjuguei o verbo felicidade
tempo após tempo, de uma brisa suave
hoje ouvi o sussurro da tua voz
longe de um entardecer tão nosso
                    
há sonho de fantasia nas gotas de orvalho
e o vento trouxe a minha felicidade
cantada com a verdadeira sobrevivência
de um sorriso recuperado.
        
num começo rabiscado
existe a transparência interditada...
                               
                   
helena maltez

sexta-feira, agosto 10, 2012

um rosto…

abriram-se as cortinas da cidade,
a nudez foi presença nas ruas acorrentadas.

sobraram horas geradas no ventre da noite,
e, amadureceram na encruzilhada sem nome.

espia pela fresta o frio da extinção.
toca  nos dedos hirtos
inflamados,
espinhosos.

um rosto denso de raízes,
com faróis presos ao silêncio,
esmaecesse no espelho da idade.
há desejos húmidos
refletidos em sonhos seculares

soam vozes semeadas nos espaços imaturos.
amadurecem os brilhos
de um verão resistente.
é amarga a linha da verdade
e confusa  a palavra ramificada.

melodias esborram no sangue que jorra
com sabor  a morte certa…

o rosto desvanecesse nas cortinas renegadas!


helena maltez



quarta-feira, junho 20, 2012

sentado com os meus pensamentos na pedra cinzenta e gasta






A sobrevivência


irónico, cínico, passou ao lado do esquecimento
à idade espera-a sentada

mergulha na eternidade
bloqueado pela cor intensa
e pelo calor que arde no corpo

gestos de espanto renascem
a cada expressão no remexer das trevas

um espaço todo para olhar
uma voz pausada que ecoa
na casa crispada onde o cheiro
álcool rutila as paredes da sala vazia

longínquo, o coração mergulha
invisível ao equilíbrio da liberdade
no pavor afasta a certeza

no corpo apenas o bailado
que o coloca de pé, com a dança do vento


l. maltez

quinta-feira, maio 03, 2012

há...





há traços no rosto
traços de pensamentos,
abarcados à saudade.

há um olhar baço
de um quadro com tons verdejantes,
reste-as de tempos passados.

há  vozes que se perderam,
um verbo por conjugar,
no cansaço que quem amou e chorou.

há abraços desabitados,
lamentos diluídos…
no âmago da existência.

há o canto num peito naufragado
em caminhos divergentes…


helena maltez

sábado, março 17, 2012

horas mascaradas…




deixo a solidão acordada, vagarosamente sinto-me vestida da tua pele.

no teu olhar a máscara das horas,

a cumplicidade de um mar,

as nossas vozes envelhecidas, numa paixão desgastada

num dia

ficou o deserto,

a loucura…

uma sede roubada,

um não, sem sentido.

já não há palavras sem medos,

ou até um corpo com raízes de afetos…

os espaços estão vazios

na duplicidade insegura

ficou a ilusão do mar, sem navegar em nós!

helena maltez

sábado, novembro 05, 2011

de mim para ti... chegada de um outono




queria sorrir aos aromas,
aos caminhos matizados
deter-me no contagio
indefinido dos espaço amarelecidos


queria que me cingisses
através das tuas cores,
entrar no frio, mas adiaste a chegada…
sim, queria aquecer os meus lábios
com o mosto quente acabado de apanhar


absorta esperei a entrada do outono
enquanto contemplava o mar encorpado, aliar-se ao vento


apareces-te tarde e depressa abalas-te
não senti o teu cheiro
e as folhas caíram cinzentas
não se tingiram de dourado…
fiquei sem entender o teu cantar


outono preguiçoso,
conseguis-te desprezar os meus sonhos…



helena maltez

quinta-feira, setembro 22, 2011

de mim para ti...




desafio as sombras no silêncio de mais uma noite
há versos nos meus dedos
que se diluem no tempo...

completo-me na tua imagem
nos sentires de uma eloquência...

há o ontem, o hoje
e
expressões sem rosto
de um amanhã

o azul é o imago da firmeza
ou o começo das tuas cores,

abre-se imprecisa a fenda
e no sóbrio fulgor do amanhã
é o mar que me abraça

há em nós um renovado dia….


helena maltez

quarta-feira, março 23, 2011

ser árvore...




sonho a certeza do sentido
esboço o resultado e não passo de uma amálgama.
as raízes prendem-me à terra
não falam, mas empurram-me nas sombras.

sustenho o grito, crescem-me os braços,
há dor nesse silêncio de tantas luas

o sangue pesa-me no corpo
fervilha como cal ardente,
é o rebentar das folhas.
cobrem-se os galhos.

não se adiam os dias
que perseguem o engrossar do tronco

puxam-me as origens
na alegria de ser árvore,
o abrigo permanente de friorentas aves
onde a beleza impera na plenitude do crescer.

rejuvenesço no principio das manhãs
de um Março que embarga nova primavera…



helena maltez

sexta-feira, junho 04, 2010

caía cacimbo...




no acalento da manhã
o cacimbo caía.
eram horas de levantar,
mais um dia meio vestido
sem gestos, apático e incontornável

corria o tempo apressado,
na rua desnudada.
a saudade, saltava em cada trilho.
deambulava o corpo cansado,
entre emoções,
revivendo amores secretos,
e as mãos entrelaçadas
deixaram de sentir.

pássaros saboreavam goiabas
no quintal vizinho,
onde tantas vezes galguei.
sem noção, olhava o infinito
brotavam da memória os amigos,
a base do meu chão.

repetiam-se os rostos
mergulhados na suavidade das acácias
e vi-te na transparência do sonho,
devolvias-me o teu sorriso
na solidão do silêncio…


helena maltez

terça-feira, março 09, 2010

mulher!




germinada de outra mulher
acordas num grito aflito,
terno e doce.
és rebento ansioso
no momento nascituro.
cresces e és encanto.
mais tarde sedução,
esperança intensa
na chama da razão.
mulher…
assim te chamam
em qualquer trilho da vida.
és voo, ritmo infindo,
razão de viver.
segues em frente e inabalável
no caminhar da perfeição.
destemida lutas
pela tua liberdade.
mulher não és gente displicente
mas guerrilheira,
inspiração ,
coragem e bravura.


mulher tu és poesia
no reforço de cada verso.



helena maltez

sábado, janeiro 23, 2010

a tua sede




sequioso queimas a boca

com palavras meias loucas

e suportas o folgo ardente

da mão inundada e listrada



a manhã apaga-se nos passos

do silêncio único da tua presença.

no rosto, a sombra triste e frágil

esboçada na ânsia do sono.


a sede é tua.

quebras o gelo das palavras que cantam

no eco de um tempo sem nomes.


aceitas a imagem desfocada

de um corpo indefeso

e a música grita no teu peito,

enquanto neva no inferno da tua alma


então matas a sede com o sangue

que brota de um coração desgastado



helena maltez





domingo, dezembro 27, 2009

natal...



ruas iluminadas

e

casas decoradas, fascinantes

barulhos de crianças, entre risos de

satisfação na algazarra natural

do abrir presentes,

as mesas fartas

e os cantares são melodiosos

é dia de Natal…



na viela, do fim da rua

da cidade iluminada,

o mar agita-se

e o vento feroz tudo desmorona

está frio e vai chover.

abrigado em metades de papelão

está um homem

sozinho,

um pão nas mãos crespadas

e um copo de café fumegante.

alguém passou

e foi o que lhe deixou…

o homem não sabe que é Natal!




helena maltez



Não queria deixar passar esta época em branco, mesmo já fora de tempo, mas para mim dentro do tempo, o meu desejo é que o natal acorde em nós todos os dias e que se consiga viver em Natal. um abraço meu, quente e doce

helena maltez

domingo, novembro 22, 2009

os teus pés vesgos




entrou na porta de costas

descalço, com os pés vesgos

descia carregando medos,

as escadas suspensas em redes.

com visão lenta petrificava o espaço

e, das vidraças retratavam as sombras

do lado de lá, da porta ao lado.

encontrou o anoitecer sem horas,

velas ardiam pela casa,

como astros em campo nu

a claridade existia dentro do tempo.

passeou a memória,

sem excessos

recordou como se movia o mar

e com os dois pés esquerdos

caminhou sobre cal caída das paredes

sujas de palavras.


de dentro sangrava

o fascínio de saber sonhar.




helena maltez






domingo, setembro 20, 2009

mão no dia




















olho com as mãos o dia

faz-se noite escura.

o tempo é indefinido

nos espaços renovados


sem distâncias a noite infiltra-se

no meio.

os muros tremem

ao ruído das sirenes


são tóxicos os vultos

que caminham sem crescer


tudo é alheio ao sentido da vida


fugiu a sombra

e o ontem adormeceu hoje





helena maltez





segunda-feira, maio 04, 2009

noite e dia!





na noite e dia o tempo circula,
empoeirado de pequenos silêncios,
com gritos prisioneiros, na lucidez feroz
do desprezo imposto, pela humilde nostalgia


na cidade dos pequenos nadas
só um vendedor de jornais
sorri com a escrita
impressa no rosto


a pressão é anseio na metamorfose
do cheiro das paisagens obstinadas


o canto nasce na pausa do dia
esgravata os espaços nos quadrados dos areais,
deixa a neblina sem som.
e provoca o senso, no deslavado remar sem dedos


nas ruas, correm as cabeças de muitos nomes
o génese é infundido na origem dos domínios,
a noite cresce no soluço tumefacto
e irrompe o odor da fadiga .


a ponte tem a noite e o dia
e a faina rola sobre o tempo





helena maltez

sábado, março 21, 2009

primavera!


no ventre os traços tecem horas somadas

árvores crescem no fulcro

e erguem-se sonhos que descem

como purificados entre silêncios de amor



a vida alenta o coração

é a chegada da Primavera

os gestos permanecem preguiçosos.



delineadas abre-se o baú de palavras

e a melodia é poesia, solfeja das cordas da guitarra.

separa-se o rosto do olhar refulgente,

perturbado fica preso, ao ponto ilusório

chega veemente a pausa sem tempo!



a paixão embarca sem medo…

o dia começa hoje

é Primavera!




helena maltez





domingo, março 01, 2009

devaneios




sentei-me na rocha

da falésia junto ao mar.

a manhã era de mitos

na grande solidão

não sabia se o mundo me pertencia.

senti-me inacabada

dentro de um dia tão frágil.

a música de fundo

vinha da minha solidão…

a correr passaram as horas de ninguém.

na noite a claridade era intensa,

vi-me dançar

sobre o brilho de um olhar.

movi o sonho, escutei o mar

nas curvas do caminho.

implacável a imagem,

permanecia no meu espaço

tecida de espuma inóspita.

intacta e indistinta

recolhi ao ímpeto do êxtase




helena maltez




sexta-feira, janeiro 30, 2009

luar de janeiro


a noite transforma-se,

há luar e é janeiro.

só a distância nos separa.

entregamo-nos a esse luar,

toco na minha mão

e, é a tua que sinto em meu corpo.

a madrugada encanta-nos

pela noite dentro,

desenha teu rosto

com um doce e meigo olhar,


embebeda-me a luz

e é o teu respirar que sinto

ofegante, numa entrega de prazer.

o cenário pertence-nos

na pura ilusão do querer

são guarida de anseios.

dançam olhares

em ritmo cadenciado

numa liberdade transfigurada

o sonho flutua

neste nosso luar de janeiro




helena maltez





  abril desfolhado a tela já não é sinfonia nem as aves gritam como qualquer papoila num campo distante não há forças para sonhar ...